Achado científico revela a presença animais adultos e espécies invasoras, reforçando a necessidade de proteger áreas marinhas

Por assessoria

Reprodução

Em mergulhos científicos recentes no litoral alagoano, pesquisadores do Projeto Meros do Brasil, e do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG Dibict) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), conseguiram o primeiro registro científico de uma agregação de meros em Alagoas e um dos poucos conhecidos no Nordeste brasileiro.

De acordo com o professor Cláudio Sampaio, o Buia, esse é um grande achado para a conservação. “As agregações são grandes concentrações de peixes em um mesmo local, geralmente ligadas à alimentação ou à reprodução. Como o mero está criticamente ameaçado de extinção no Brasil, a descoberta tem enorme importância para a conservação da espécie”, explicou.

Durante os mergulhos os pesquisadores do Meros do Brasil e da Ufal Penedo, com apoio do Projeto Corais de Alagoas, EcoScuba (Escola e Operadora de Mergulho) e do conhecimento dos pescadores locais, confirmaram a presença de mais de 15 meros adultos, medindo entre 1,6m e 2,3 m de comprimento, em uma área com cerca de 35 m de profundidade. Além dos meros, também foi registrada a presença do peixe-leão e do coral-sol, que são espécies invasoras, além de “redes fantasmas”, materiais de pesca perdidos, descartados ou abandonados que continuam capturando animais marinhos.

Registro inédito e importante

O professor Cláudio Sampaio, coordenador do Projeto Meros do Brasil em Alagoas, explica que o registro científico é muito importante porque amplia o conhecimento sobre áreas estratégicas para a conservação do mero no litoral brasileiro. “Essas agregações tornam os meros, classificados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como criticamente ameaçados de extinção, mais vulneráveis à pesca ilegal e poluição, reforçando a necessidade de proteção desses ambientes”, destaca.

Além da importância ecológica, o mero também possui valor econômico para o turismo de mergulho. Conhecido pelo comportamento dócil e curioso, o peixe pode ultrapassar 2,5 m de comprimento e chegar a mais de 450 kg, atraindo mergulhadores interessados em observá-lo em seu habitat natural.

“Apesar disso, a área onde a agregação foi registrada ainda não está protegida por nenhuma unidade de conservação, o que aumenta a preocupação com sua preservação”, disse o professor.

O registro também destaca a importância das pesquisas científicas e das ações de educação ambiental realizadas no litoral alagoano pelo Projeto Meros do Brasil, sediado na Ufal Penedo. Essas atividades, coordenadas por Cláudio Sampaio, contribuem diretamente para a proteção da biodiversidade marinha e fazem parte das pesquisas de doutorado de Marcio Lima Jr., supervisor de pesquisa do Meros, e do mestrado de Amanda Valadão, ligados aos programas de pós-graduação da Ufal.

“O registro da agregação reforça que o litoral de Alagoas ainda guarda importantes segredos da vida marinha e mostra como a ciência, aliada ao conhecimento dos pescadores, é essencial para a conservação do mero e dos ecossistemas costeiros”, acrescentou Sampaio.

Para saber mais sobre os projetos, acesse no Instagram @merosdobrasil e @lic.ufal.penedo.

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