De janeiro a agosto, uma sequência de fortes abalos sísmicos deixou milhares de mortos, dezenas de milhares de feridos e provocou danos bilionários em diferentes partes do mundo; Venezuela, Colômbia, Indonésia, Filipinas e Japão estão entre os países mais atingidos
Por Cotidiano Alagoas / Rívison Batista

O ano de 2026 entrou para a história como um dos mais impactantes em termos de consequências humanas causadas por terremotos. Não porque o planeta tenha passado a registrar uma quantidade anormal de abalos sísmicos, pois os dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicam que a atividade está dentro das variações esperadas, mas porque vários terremotos atingiram regiões densamente povoadas, com infraestrutura vulnerável e diferentes níveis de capacidade de resposta a desastres. O resultado foi uma sequência de tragédias que mobilizou equipes de resgate em múltiplos continentes e reacendeu o debate global sobre preparação para catástrofes naturais. Veja o mapeamento dos principais abalos sísmicos registrados entre janeiro e 18 de agosto de 2026.
Janeiro e fevereiro: o ano começa com alertas na Ásia
Já nos primeiros meses de 2026, a atividade sísmica na Ásia deu sinais de que o ano seria marcado por diversos terremotos de grande magnitude. Em janeiro, pequenos abalos foram registrados na Indonésia e na Índia, sem consequências graves. Em 22 de fevereiro, a Malásia foi surpreendida por um terremoto de magnitude 7,1. Apesar da força do abalo, o evento não causou mortes. A grande profundidade do hipocentro, de aproximadamente 629 quilômetros, ajudou a reduzir os efeitos destrutivos na superfície. O caso da Malásia se tornou um exemplo de que a magnitude de um terremoto, isoladamente, não determina a extensão de um desastre.
Março: Tonga e Vanuatu no Pacífico Sul
Em 24 de março, Tonga, no Pacífico Sul, foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5, com o hipocentro a mais de 200 quilômetros de profundidade. Apesar da magnitude expressiva, o abalo não causou vítimas fatais, reforçando a importância da profundidade e da localização na determinação dos efeitos de um terremoto.
Seis dias depois, em 30 de março, foi a vez de Vanuatu registrar um abalo de magnitude 7,3, também sem vítimas fatais. A região do Pacífico Sul faz parte do chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma das áreas de maior atividade sísmica e vulcânica do planeta.
Abril: Japão, Indonésia e Afeganistão
Abril foi um mês de alertas em diferentes regiões. Em 1º de abril, o norte das Molucas, na Indonésia, foi atingido por um terremoto de magnitude 7,4, com uma vítima fatal registrada.
Em 3 de abril, a província de Badakhshan, no nordeste do Afeganistão, sofreu um abalo de magnitude 5,8 que deixou 12 mortos. O número de vítimas, apesar da magnitude relativamente menor, também evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura e das edificações em algumas áreas do país.
Em 20 de abril, o Japão registrou o terremoto de Sanriku, inicialmente estimado em magnitude 7,4 a 7,5. O USGS registra magnitude de momento 7,4, enquanto a Agência Meteorológica do Japão posteriormente classificou o evento como M7,7. O epicentro ocorreu ao largo da costa de Iwate, na região de Tohoku.
O terremoto provocou um alerta de tsunami, que previa ondas de até três metros em partes da costa de Iwate. A maior onda efetivamente observada, porém, foi de aproximadamente 80 centímetros. O evento deixou dez pessoas feridas e provocou danos em centenas de estruturas, mas não registrou mortes.
Maio e junho: do Havaí às Filipinas
Em 23 de maio, a Grande Ilha do Havaí, nos Estados Unidos, foi sacudida por um terremoto de magnitude 6,0. O tremor provocou danos em residências e chamou atenção por ocorrer em uma região sujeita simultaneamente a atividade sísmica e vulcânica. O USGS, entretanto, indicou que o terremoto não estava diretamente relacionado aos processos magmáticos do vulcão Kilauea. O evento não deixou mortos.
Em 8 de junho, as Filipinas registraram um dos terremotos mais fortes do ano. O tremor teve magnitude 7,8, segundo o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia, e ocorreu ao largo de Sarangani, no sul de Mindanao, a aproximadamente 57 quilômetros de profundidade.
O terremoto provocou alertas de tsunami nas Filipinas, na Indonésia e na Malásia. O alerta foi posteriormente cancelado. O número de vítimas aumentou durante os dias seguintes à tragédia, à medida que as equipes de emergência avançavam pelas áreas afetadas. Balanços posteriores apontaram pelo menos 107 mortos e mais de 1.300 feridos, além de danos significativos à infraestrutura.
A tragédia de junho na Venezuela: o pior desastre sísmico do ano
O dia 24 de junho de 2026 ficou marcado na história da Venezuela. Em um intervalo de apenas 39 segundos, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o norte do país, na região oeste de Caracas.
Segundo o USGS, o primeiro terremoto ocorreu a cerca de 20 quilômetros de profundidade, enquanto o segundo, de magnitude 7,5, teve hipocentro a apenas 10 quilômetros da superfície. A proximidade entre os dois eventos e a baixa profundidade do segundo tremor contribuíram para a intensidade do abalo percebido em áreas habitadas.
A sequência provocou destruição generalizada, deslizamentos de terra e danos à infraestrutura. O impacto humano cresceu de maneira dramática nas semanas seguintes. Segundo dados oficiais divulgados em 17 de agosto, o número de mortos havia chegado a 6.438, enquanto 86.358 pessoas haviam sido atendidas ou hospitalizadas em decorrência dos terremotos.
O desastre se tornou, de longe, o terremoto mais letal registrado no mundo em 2026 até aquele momento. A dimensão das perdas também transformou o episódio em uma das maiores tragédias sísmicas da história recente da América do Sul.
Julho: México registra forte terremoto e Japão enfrenta desastre urbano
Em 17 de julho, o México registrou um terremoto de magnitude 7,3 na costa de Chiapas. O epicentro ocorreu no mar, e o evento não provocou um número expressivo de vítimas, embora tenha causado danos em diferentes localidades. A experiência mexicana acumulada ao longo de décadas na preparação para terremotos também contribuiu para a resposta ao desastre.
Em 28 de julho, o Japão foi duramente atingido. Um terremoto de magnitude 7,1, segundo a Agência Meteorológica do Japão, sacudiu a província de Kumamoto, no sul do país. O USGS classificou o evento com magnitude de momento 6,8.
O hipocentro estava a aproximadamente 10 a 16 quilômetros de profundidade, dependendo da solução utilizada pelas diferentes instituições. O terremoto provocou danos em estradas e edifícios, interrompeu o fornecimento de serviços em diferentes áreas e provocou uma explosão em um shopping center da rede Aeon, onde pessoas chegaram a ficar presas.
O tremor também afetou atividades industriais na região. Empresas como Sony, Renesas Electronics, Toyota e Tokyo Electron tiveram operações impactadas ou interrompidas. O balanço de vítimas evoluiu durante os dias seguintes e chegou a dezenas de mortes, incluindo casos cuja relação direta com o desastre foi posteriormente analisada pelas autoridades.
A Agência Meteorológica do Japão passou a se referir oficialmente ao evento como o terremoto de Kumamoto de 2026.
Agosto: Colômbia, Indonésia e Europa no centro das atenções

Em 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o departamento de Chocó, no oeste da Colômbia. O hipocentro estava a mais de 100 quilômetros de profundidade, mas o terremoto provocou danos graves em várias cidades e regiões do país.
O balanço de vítimas sofreu alterações ao longo dos dias, à medida que os corpos eram localizados e os números eram revisados pelas autoridades. Até 18 de agosto, diferentes levantamentos apontavam aproximadamente 300 mortos, mais de 4 mil feridos e dezenas ou centenas de desaparecidos, dependendo do momento e do critério utilizado para contabilização. Equipes de busca e resgate continuavam trabalhando nas áreas atingidas.
Apesar de sua grande profundidade, o terremoto provocou colapsos e danos generalizados em estruturas, especialmente em áreas onde construções e infraestrutura apresentavam maior vulnerabilidade.
Na Europa, a região de Granada, na Espanha, também passou a registrar uma sequência de tremores de magnitude significativa. Em 15 de agosto, um terremoto de magnitude aproximadamente 5 atingiu a região, provocando danos materiais.
Três dias depois, em 18 de agosto, novos tremores voltaram a atingir a província de Granada. O mais forte foi inicialmente estimado em magnitude 4,7 e posteriormente divulgado em algumas fontes como 4,8. O terremoto provocou danos em edificações e deixou três pessoas levemente feridas.
A atividade sísmica também levou à restrição temporária do acesso a partes da Alhambra, um dos principais pontos turísticos da Espanha. Outros edifícios públicos e instalações também foram temporariamente fechados ou evacuados como medida de precaução.
Na Itália, um terremoto de magnitude 3,9 foi registrado na Sicília em 15 de agosto, na região do vulcão Etna. O tremor ocorreu na área associada à falha Pernicana e provocou fraturas em uma estrada turística, além de medidas preventivas em estabelecimentos da região.
Indonésia: terremoto de magnitude 7,7 deixa dezenas de mortos
Em 15 de agosto, um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a região de Flores, na província de Nusa Tenggara Oriental, na Indonésia. O hipocentro estava a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade.
A forte atividade sísmica provocou alertas de tsunami e levou milhares de pessoas a procurar áreas mais elevadas. O alerta foi posteriormente suspenso, mas os danos provocados pelo tremor foram graves.
O número de mortos aumentou rapidamente durante os dias seguintes. Inicialmente foram confirmadas dezenas de vítimas, e os balanços posteriores passaram a apontar números ainda maiores, enquanto equipes de emergência continuavam procurando vítimas entre os escombros.
Além das mortes, milhares de pessoas precisaram deixar suas casas. O terremoto provocou danos em residências, estradas e outras estruturas da região.
O que dizem os especialistas: frequência dentro da normalidade, impacto humano excepcional
Apesar da sensação generalizada de que a Terra está tremendo mais do que o normal, não há evidências de que 2026 esteja apresentando uma mudança significativa na atividade sísmica global.
Segundo o USGS, os registros históricos desde aproximadamente 1900 indicam uma média de cerca de 16 grandes terremotos por ano. Desse total, aproximadamente 15 costumam apresentar magnitudes na faixa de 7 e um evento, em média, apresenta magnitude 8,0 ou superior. A quantidade anual pode variar consideravelmente, sem que isso signifique uma alteração permanente na atividade sísmica do planeta.
O que diferencia 2026, principalmente em termos de impacto humano, é a ocorrência de vários terremotos fortes em regiões habitadas e vulneráveis. A profundidade do hipocentro, a distância em relação a áreas urbanas, a qualidade das construções, a presença de deslizamentos e tsunamis e a capacidade de resposta das autoridades são fatores fundamentais para determinar a dimensão de uma catástrofe.
A diferença entre o terremoto de magnitude 7,8 nas Filipinas, que deixou pouco mais de uma centena de mortos, e os dois terremotos que atingiram a Venezuela em junho, com mais de 6.400 mortos, ilustra essa realidade. A magnitude é apenas uma parte da história. As características geológicas do local, a profundidade do terremoto, a vulnerabilidade das construções e a exposição da população podem transformar um forte abalo em uma tragédia de proporções históricas.
O saldo de 2026 já é marcado por milhares de mortos, dezenas de milhares de feridos e grandes deslocamentos populacionais em diferentes continentes. Regiões como o Anel de Fogo do Pacífico continuam concentrando grande parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta.










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