Com a chegada dos AI Overviews e dos novos mecanismos de busca baseados em IA, o tráfego orgânico tradicional enfrenta queda histórica e uma nova disciplina, o GEO, surge como resposta obrigatória para quem quer continuar sendo encontrado
Por Cotidiano Alagoas

Por décadas, aparecer bem posicionado no Google dependia de uma combinação conhecida: título certo, palavras-chave estratégicas, bons backlinks e meta description caprichada. Esse modelo não desapareceu, mas já não é suficiente. A inteligência artificial transformou profundamente o modo como as pessoas buscam informação e, por consequência, mudou as regras do jogo para todos que dependem do tráfego digital.
O que se observa agora, com a ascensão da inteligência artificial nos mecanismos de busca, é uma transformação que vai além de qualquer atualização de algoritmo. É uma mudança de paradigma. O recurso que o Google testou internamente como SGE (Search Generative Experience) tornou-se, a partir de 2024, o que hoje se conhece como AI Overviews, blocos de resposta gerados por IA que aparecem diretamente na página de resultados, antes de qualquer clique.
Segundo dados da Semrush, o AI Overviews passou a aparecer em mais de 13% de todas as buscas em março de 2025, mais que o dobro do registrado em janeiro do mesmo ano. O impacto nos cliques orgânicos é imediato: em consultas informacionais, o CTR orgânico caiu de 1,76% para 0,61% entre junho de 2024 e setembro de 2025, uma redução de 61%.
O fenômeno tem nome: busca zero click. O usuário faz a pergunta, a IA responde direto na tela e não precisa clicar em nenhum site. Uma pesquisa da Gartner estima que até 50% do tráfego orgânico proveniente de pesquisas em motores de busca pode diminuir até 2028. Dados internos da HubSpot já mostram esse movimento: o tráfego orgânico dos seus clientes caiu em média 27% em 2025 em comparação ao ano anterior.
Diante desse cenário, profissionais e empresas de todo o mundo passaram a adotar uma nova disciplina chamada GEO, sigla em inglês para Generative Engine Optimization. GEO é a otimização para ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini, Perplexity e o AI Overview do Google. Nesse modelo, a IA não extrai um trecho do conteúdo. Ela sintetiza, reescreve e cita fontes. Para ser citado, o conteúdo precisa ser reconhecido como confiável, verificável e bem estruturado por um algoritmo que raciocina, não apenas indexa.
A diferença em relação ao SEO tradicional é fundamental. O SEO (Search Engine Optimization ou Otimização para Mecanismos de Busca) otimiza para posição. O GEO otimiza para citação. O objetivo do SEO é aparecer na primeira página, ganhar o clique e medir sessão e conversão. O objetivo do GEO é ser citado no corpo da resposta gerada, com o nome da marca associado à afirmação, mesmo quando não há clique.
O Brasil é o terceiro maior mercado mundial em volume de tráfego em ferramentas de IA, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. O Gemini cresceu 501% em visitas vindas do país nos últimos doze meses. O ChatGPT cresceu 176%. Apesar disso, o país ainda está atrasado na adoção das novas estratégias: apenas 24% das empresas brasileiras já investem em GEO, contra 64% que investem em SEO tradicional.
Os profissionais de marketing precisam fazer uma mudança de filosofia: em vez de apenas buscar cliques, o objetivo agora é também aparecer nas respostas dos LLMs (os Grandes Modelos de Linguagem que alimentam os sistemas de IA generativa). Isso inclui estar presente em plataformas como Reddit e Quora, que são fontes frequentemente citadas por esses modelos, além de YouTube, newsletters e conteúdo produzido em comunidades digitais.
A IA muda as regras do jogo, priorizando profundidade, experiência real e relevância semântica em vez de táticas mecânicas. Profissionais que adaptarem suas estratégias e usarem a IA como ferramenta terão vantagem competitiva. O conteúdo superficial, gerado em escala sem critério editorial, tende a ser ignorado pelos algoritmos, tanto pelos buscadores tradicionais quanto pelos modelos de linguagem.
O futuro do SEO não será apenas técnico, será emocional, estratégico e profundamente humano. A IA redefine métricas, mas não elimina a necessidade de conteúdo autêntico, experiência real e clareza narrativa. Para quem produz jornalismo, informação especializada ou conteúdo de serviço, esse é um momento de oportunidade: veículos com credibilidade editorial, dados verificáveis e linguagem clara têm exatamente o que os novos algoritmos buscam para compor suas respostas.
A conclusão que emerge é direta: o SEO não morreu, mas evoluiu. Quem entender essa transição agora, enquanto a maioria ainda opera no modelo antigo, sai na frente numa disputa que já está em curso.










+ There are no comments
Add yours