Piranhas lidera o ranking estadual; Teotônio Vilela tem a maior nota em Necessidades Humanas Básicas; Belém se destaca em Oportunidades. Veja o que os dados revelam sobre os municípios que puxam Alagoas para cima

Por Cotidiano Alagoas

Piranhas – Reprodução

Alagoas tem 102 municípios avaliados no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, e a média estadual ficou em 57,39 pontos. Mas nem todos os municípios ficaram abaixo dessa linha. Um grupo de vinte cidades conseguiu superar a marca — alguns de forma expressiva — em ao menos uma das três grandes dimensões que compõem o índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

O IPS não mede riqueza, mas qualidade de vida concreta: saneamento, segurança, educação, acesso à informação, direitos, inclusão. Por isso, o ranking surpreende: cidades pequenas do interior aparecem à frente de municípios muito mais ricos e populosos.


O líder: Piranhas (63,56)

Com uma população de pouco mais de 23 mil habitantes e um PIB per capita de R$ 15.539, Piranhas é, na ponta do lápis, uma cidade modesta em termos econômicos. Ainda assim, nenhum outro município alagoano obteve nota mais alta no IPS 2026: 63,56 pontos.

O desempenho de Piranhas é equilibrado nas três dimensões. Em Necessidades Humanas Básicas, marcou 72,94 — puxada principalmente por Moradia (88,79) e Acesso ao Conhecimento Básico (74,14). Em Fundamentos do Bem-estar, obteve 62,63, com destaque para Acesso à Informação e Comunicação (66,51). O ponto mais forte da cidade, porém, está em Oportunidades: com 55,11, é o segundo melhor escore nessa dimensão entre os vinte primeiros colocados, beneficiada por uma Inclusão Social de 74,09.


Penedo (63,09): saneamento como diferencial

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Penedo – Reprodução

Logo atrás, Penedo registrou 63,09 pontos no IPS. Com 60 mil habitantes e o maior PIB per capita entre os cinco primeiros (R$ 19.261), a cidade se sobressai sobretudo em Necessidades Humanas Básicas: nota 76,13. O indicador de Moradia chegou a 96,79 — um dos mais elevados do estado — e o de Água e Saneamento atingiu 80,48. O Acesso ao Conhecimento Básico também foi robusto: 75,41. A dimensão de Oportunidades (48,73) é o principal ponto de atenção.


Teotônio Vilela (62,49): líder em Necessidades Humanas Básicas

Teotônio Vilela, com quase 40 mil habitantes e PIB per capita de R$ 24.061, é a cidade com maior nota em Necessidades Humanas Básicas em todo o estado: 79,32. O resultado é sustentado por uma combinação consistente: Moradia (94,93), Água e Saneamento (80,25) e, especialmente, Acesso ao Conhecimento Básico (79,87). A conectividade também é ponto forte, com 69,88 em Acesso à Informação e Comunicação. O IPS geral chegou a 62,49.


Palestina (62,15): pequena e eficiente

Com apenas 4.408 moradores — a menor população entre os vinte primeiros —, Palestina entregou um IPS de 62,15. A cidade tem o maior escore em Segurança Pessoal do grupo (72,08) e se destaca em Acesso à Informação e Comunicação (74,38) e Qualidade do Meio Ambiente (63,00). Em Fundamentos do Bem-estar, obteve 66,27 — a segunda melhor nota dessa dimensão no top 20.


Jacuípe (62,10): o PIB per capita mais alto dos cinco primeiros

Jacuípe tem apenas 5.419 habitantes, mas um PIB per capita de R$ 26.712 — o mais elevado entre os cinco municípios líderes. Seu IPS de 62,10 é sustentado por um dado particularmente impressionante: Inclusão Social de 86,01, a segunda maior do ranking. O Acesso ao Conhecimento Básico marcou 77,94 e a Segurança Pessoal, 70,09.


Maceió (61,96): a capital, em sexto

A capital alagoana, com quase 1 milhão de habitantes e PIB per capita de R$ 33.920, aparece apenas em sexto lugar, com IPS de 61,96. Maceió tem o melhor escore em Fundamentos do Bem-estar do estado (68,43) e o maior em Acesso à Informação e Comunicação (82,79), além do mais alto Acesso à Educação Superior do ranking (66,78). O calcanhar de aquiles é a Segurança Pessoal: 38,03 — a mais baixa entre os vinte primeiros.


Coruripe (61,86): o maior PIB per capita entre os dez primeiros

Litoral de Coruripe – Reprodução

Coruripe, com 51 mil habitantes e um PIB per capita de R$ 46.362 — o maior entre os dez primeiros —, registrou 61,86 pontos no IPS. O município se destaca em Água e Saneamento (86,19) e Moradia (93,73). O Acesso ao Conhecimento Básico chegou a 78,71. As Oportunidades (45,30) ficam como desafio.


Belém (61,74): destaque em Oportunidades

Belém, uma cidade de 4.819 moradores, teve o melhor desempenho em Oportunidades de todo o ranking: 61,21 pontos. Nessa dimensão, sobressaem Inclusão Social (82,43) e Direitos Individuais (62,92) — o mais alto entre os vinte. O PIB per capita de R$ 38.837 é relativamente elevado para uma cidade do interior. O Acesso ao Conhecimento Básico foi de 78,97. O saneamento, porém, ainda é um gargalo: Água e Saneamento marcou apenas 39,02.


Barra de São Miguel (61,69): conectividade de ponta

Barra de São Miguel – Reprodução

Com 8.123 habitantes e PIB per capita de R$ 37.478, Barra de São Miguel entrou no ranking com IPS de 61,69. O dado mais chamativo é o Acesso à Informação e Comunicação: 92,15 — o mais alto de todo o top 20. O Fundamentos do Bem-estar chegou a 67,35. A Segurança Pessoal (27,20) é o indicador mais crítico do município.


Chã Preta (61,54): o segundo maior PIB per capita do ranking

Chã Preta tem 6.000 habitantes e o segundo maior PIB per capita do top 20: R$ 48.282. Seu IPS de 61,54 é puxado por Necessidades Humanas Básicas (74,32), com Segurança Pessoal de 70,28 e Acesso ao Conhecimento Básico de 72,89. A Saúde e Bem-estar (54,66) também ficou acima da média do grupo.


Tanque d’Arca (61,38): Inclusão Social como trunfo

Tanque d’Arca, com 5.906 habitantes, marcou 61,38 no IPS. A cidade lidera o ranking em Inclusão Social: 91,12 — o maior valor nesse indicador entre todos os vinte municípios. A Segurança Pessoal (79,66) também é destaque. Em Necessidades Humanas Básicas, obteve 78,86, com Moradia de 94,26 e Acesso ao Conhecimento Básico de 79,11.


Pariconha (60,91)

Com 10.807 habitantes e PIB per capita de R$ 11.058 — um dos mais baixos do grupo —, Pariconha marcou 60,91 pontos. A Segurança Pessoal (72,25) e a Saúde e Bem-estar (56,51) são seus pontos mais fortes. Necessidades Humanas Básicas atingiu 74,40.


São Miguel dos Milagres (60,69)

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São Miguel dos Milagres – Reprodução

O município de 8.700 habitantes, com PIB per capita de R$ 35.460, registrou 60,69 pontos. O Acesso à Informação e Comunicação foi elevado: 79,42. Em Fundamentos do Bem-estar, a nota foi de 65,66.


São Miguel dos Campos (60,58)

Com 53 mil habitantes e PIB per capita de R$ 29.865, São Miguel dos Campos obteve IPS de 60,58. Destaque para Água e Saneamento (88,32) e Moradia (95,08). O Acesso à Informação e Comunicação também foi expressivo: 74,31.


Santa Luzia do Norte (60,26)

Santa Luzia do Norte, com 7.066 habitantes, alcançou 60,26 pontos. Em Moradia, atingiu 94,03, e em Qualidade do Meio Ambiente, 63,14. O Acesso à Informação e Comunicação foi de 71,61.


Novo Lino (59,96): Inclusão Social em alta

Novo Lino, com 10.285 habitantes, marcou 59,96 pontos. O indicador de Inclusão Social chegou a 87,26 — o segundo mais alto do top 20 — e a Qualidade do Meio Ambiente foi de 66,94, a mais elevada entre todos os vinte primeiros.


Santana do Mundaú (59,95): o maior PIB per capita do ranking

Santana do Mundaú, com 11.572 habitantes, tem o maior PIB per capita do top 20: R$ 97.421. Apesar disso, seu IPS de 59,95 mostra que renda elevada não se converte automaticamente em progresso social. O ponto forte é o Acesso ao Conhecimento Básico (81,15), que figura entre os mais altos do ranking, e a Inclusão Social (86,72). A dimensão de Oportunidades (47,55) fica como lacuna.


São José da Laje (59,92)

Com 21 mil habitantes, São José da Laje marcou 59,92 pontos. O Acesso ao Conhecimento Básico foi um dos destaques: 80,81. Água e Saneamento atingiu 81,87 e Moradia, 94,22.


Marechal Deodoro (59,88)

MARECHAL DEODORO PRO ESTRADA
Marechal Deodoro – Reprodução

Com 62 mil habitantes e PIB per capita de R$ 50.989 — o terceiro maior do top 20 —, Marechal Deodoro registrou 59,88 pontos. O Acesso à Informação e Comunicação foi de 81,27, e o Fundamentos do Bem-estar chegou a 65,55.


Pão de Açúcar (59,79): fecha o top 20 com Saúde em destaque

Pão de Açúcar, com 24 mil habitantes e PIB per capita de R$ 11.618, fechou o ranking com 59,79 pontos. A Saúde e Bem-estar foi de 60,22 — a mais alta de todo o top 20 nesse indicador. A Segurança Pessoal também foi expressiva: 71,10.


O que os dados revelam

O top 20 alagoano no IPS 2026 traz algumas lições. A primeira: tamanho não é documento. Cidades com menos de 5 mil habitantes, como Palestina e Belém, aparecem na lista lado a lado com a capital. A segunda: riqueza tampouco garante posição. Santana do Mundaú tem o maior PIB per capita do grupo (quase o dobro do segundo colocado), mas só aparece na 17ª posição.

A terceira lição é mais preocupante: mesmo os melhores municípios do estado ainda têm notas modestas em escala nacional. Uma pontuação de 63 pontos, que coloca Piranhas no topo alagoano, é, em outros contextos regionais brasileiros, um resultado mediano. A dimensão de Oportunidades (que mede direitos, inclusão, acesso à educação superior e liberdades individuais) é justamente onde todos os vinte municípios mais sentem o peso das desigualdades históricas de Alagoas.

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