Levantamento nacional revela que a capital alagoana enfrenta graves déficits em segurança pessoal, inclusão social e acesso a direitos, com pontuação de 61,96 em uma escala de 100

Por Cotidiano Alagoas

Maceió – Divulgação

Maceió, capital de Alagoas, ocupa uma das piores posições entre as capitais brasileiras no Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026, com uma pontuação geral de 61,96 pontos em uma escala de 0 a 100. No ranking nacional, a cidade aparece na posição 2.105 entre 5.570 municípios avaliados, e na posição 6 entre as 102 cidades que compõem o grupo de comparação — municípios com faixa de PIB per capita semelhante ao da capital alagoana. Com população estimada em 994.952 habitantes em 2025 e área de 509,30 km², Maceió registra um PIB per capita de R$ 33.920,81 (dado de 2023), posicionando-se na 19ª colocação entre os municípios do seu grupo econômico.

O IPS Brasil avalia o desempenho dos municípios em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades. Em todas as três, Maceió apresenta resultados que preocupam especialistas e gestores públicos.


Necessidades humanas básicas: 65,80 pontos — posição 4.685

A dimensão que mede as condições mais elementares de vida — acesso à alimentação, água, moradia e segurança — é onde Maceió registra sua pior posição absoluta no ranking nacional: 4.685ª entre 5.570 municípios.

O componente de Nutrição e Cuidados Médicos Básicos pontua 71,73, mas o scorecard marca indicadores relativamente fracos em cobertura vacinal contra poliomielite, hospitalizações por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade ajustada por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade infantil até 5 anos e subnutrição — todos sinalizados como relativamente fracos em comparação aos municípios do mesmo grupo de PIB per capita.

Em Água e Saneamento, a pontuação é de 65,05 (posição 3.403), com indicadores de abastecimento de água via rede de distribuição, esgotamento sanitário adequado, índice de abastecimento de água e índice de perdas de água na distribuição todos classificados como relativamente neutros.

A situação da Moradia é a mais favorável dentro desta dimensão, com pontuação de 88,41 (posição 3.117), contemplando domicílios com coleta de resíduos adequada, iluminação elétrica adequada, paredes adequadas e pisos adequados — todos com desempenho neutro frente ao grupo de comparação.

O ponto de maior alerta, no entanto, é a Segurança Pessoal, com apenas 38,03 pontos — a pior marca entre todos os componentes do índice para Maceió — e posição 5.156 no ranking nacional, entre as cidades com piores índices de segurança do país. Os indicadores de assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, homicídios e mortes por acidentes de transporte são todos classificados como relativamente fracos.


Fundamentos do bem-estar: 68,43 pontos — posição 1.084

Nesta segunda dimensão, que avalia acesso ao conhecimento, informação, saúde e qualidade ambiental, Maceió apresenta um desempenho um pouco mais equilibrado, mas ainda com pontos críticos.

O Acesso ao Conhecimento Básico obteve 73,33 pontos (posição 3.613). Os indicadores de abandono no ensino fundamental, abandono no ensino médio, distorção idade-série no ensino médio, evasão no ensino médio, Ideb do ensino fundamental e reprovação escolar no ensino médio são todos classificados como relativamente fracos.

Em Acesso à Informação e Comunicação, a capital alagoana vai bem, com 82,79 pontos (posição 622), sendo este um dos destaques positivos do município. Cobertura de internet móvel (4G/5G), densidade de internet banda larga fixa, densidade de telefonia móvel e qualidade de internet móvel figuram como indicadores relativamente fortes.

O componente de Saúde e Bem-estar é um dos mais críticos, com apenas 53,16 pontos (posição 3.874). O consumo de ultraprocessados, a expectativa de vida, a mortalidade entre 15 e 50 anos, as mortalidades por doenças crônicas não transmissíveis, a obesidade e os suicídios são indicadores classificados como relativamente fracos.

Já a Qualidade do Meio Ambiente apresenta pontuação de 64,45 (posição 486), com áreas verdes urbanas e emissões de CO₂ por habitante como pontos relativamente fortes, enquanto focos de calor, índice de vulnerabilidade climática dos municípios (IVCM) e supressão da vegetação primária e secundária aparecem como neutros.


Oportunidades: 51,63 pontos — posição 268

A dimensão Oportunidades — que mede o grau em que os cidadãos têm acesso a direitos, liberdades e condições para desenvolver seu pleno potencial — é onde Maceió registra sua pontuação mais baixa: 51,63 pontos, ocupando a posição 268 entre os municípios do seu grupo de comparação.

Em Direitos Individuais, a pontuação é de 46,20 (posição 401). O acesso a programas de direitos humanos aparece como relativamente forte, enquanto existência de ações para direitos de minorias, índice de atendimento à demanda de justiça, resposta a processos familiares, resposta a processos previdenciários e taxa de congestionamento líquida de processos são relativamente neutros.

O componente de Liberdades Individuais e de Escolha pontua 52,83 (posição 3.201), com indicadores de acesso à cultura, lazer e esporte como relativamente forte; gravidez na adolescência (menores de 19 anos) como neutro; e índice de vulnerabilidade das famílias do CadÚnico (IVCAD) e praças e parques em áreas urbanas também neutros.

Em Inclusão Social, Maceió registra 40,71 pontos (posição 5.144) — a segunda pior pontuação entre todos os componentes, evidenciando profundas desigualdades estruturais. Os indicadores de famílias em situação de rua, paridade de gênero na câmara municipal, paridade de negros na câmara municipal, violência contra indígenas, violência contra mulheres e violência contra negros são todos classificados como relativamente fracos.

Por fim, o Acesso à Educação Superior apresenta a pontuação de 66,78 (posição 70 entre os municípios do grupo), sendo um dos pontos relativamente mais positivos da capital. Empregados com ensino superior, mulheres empregadas com ensino superior e nota mediana no Enem são todos classificados como relativamente fortes.


O contexto comparativo

O IPS Brasil 2026 compara os municípios com outros da mesma faixa de PIB per capita, o que torna a análise mais justa e reveladora. No grupo de Maceió, estão cidades como Fortaleza, Taquarana, Araçoiaba, Boa Esperança, Campanha, Lagoa Grande, Martins Soares, Nova Serrana, Riacho dos Machados, Santa Rosa da Serra, Domingos Martins, Santa Teresa, Bom Jardim, São Sebastião do Alta, Guapiara, Iperê, Mirandópolis, Monte Alegre do Sul, Palmeira d’Oeste, Piedade, Ribeirão Branco, Tabatinga, Tuiuti, Ivaí, Miroselva, Nova Esperança do Sudoeste, Palmas, Santa Mônica, São João do Caiuá, São Sebastião da Amoreira, Rodeia, Campina dos Missões, Herveiras, Marques de Souza, São Nicolau, São Pedro da Serra, Senador Salgado Filho, Três Palmeiras, Tacuru, Acorizal, Peixote de Azevedo, Aurilândia, Firminópolis e Guarinos, entre outros.

O fato de Maceió, sendo uma capital de estado com quase um milhão de habitantes, figurar entre as piores posições mesmo dentro de um grupo que inclui municípios muito menores e com menor estrutura institucional, é um indicador preocupante da ineficiência na conversão de riqueza econômica em bem-estar social.

Os dados do IPS Brasil 2026 estão disponíveis para consulta pública em ipsbrasil.org.br.

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