Respostas revelam diferentes possibilidades para um dos maiores “e se?” da história

Por Cotidiano Alagoas

Reprodução/YouTube

Há 25 anos, o mundo mudou de rumo. Os atentados de 11 de setembro de 2001 não apenas derrubaram as Torres Gêmeas e atingiram o Pentágono: desencadearam guerras, redefiniram políticas de segurança, transformaram as relações internacionais e deixaram marcas que atravessam a política, a economia e a vida cotidiana até os dias de hoje. Mas e se aquela manhã em Nova York, Washington e na Pensilvânia tivesse transcorrido de outra maneira? Neste aniversário de 25 anos do 11 de Setembro, o Cotidiano Alagoas propôs um exercício de história alternativa a três das mais conhecidas inteligências artificiais (IA) da atualidade — ChatGPT, Claude e Gemini — fazendo a mesma pergunta: como seria o mundo hoje se os atentados de 11 de setembro nunca tivessem acontecido? As respostas revelam diferentes possibilidades para um dos maiores “e se?” da história contemporânea.

ChatGPT:

Se os atentados de 11 de setembro de 2001 não tivessem acontecido, é muito provável que o mundo de hoje fosse profundamente diferente, embora não necessariamente radicalmente mais pacífico. O primeiro efeito seria geopolítico: os Estados Unidos provavelmente não teriam iniciado a invasão do Afeganistão naquele momento nem a chamada “Guerra ao Terror” teria adquirido a dimensão que teve. O Talibã, a Al-Qaeda e outras organizações jihadistas ainda existiriam como problemas de segurança, mas a mobilização militar americana no Oriente Médio provavelmente seria muito menor. E isso poderia alterar uma cadeia enorme de acontecimentos: a invasão do Iraque em 2003 talvez não ocorresse — ou pelo menos não ocorreria da mesma maneira e no mesmo momento —, Saddam Hussein poderia permanecer no poder por mais tempo, e a ascensão posterior de grupos como o Estado Islâmico poderia ter sido muito diferente. Milhões de pessoas que morreram, foram deslocadas ou perderam familiares nas guerras do Afeganistão e do Iraque poderiam ter tido destinos completamente diferentes. Também haveria provavelmente menos radicalização produzida pelas guerras e ocupações, embora seja impossível afirmar que o terrorismo jihadista simplesmente desapareceria. Internamente, os EUA seriam outro país: medidas de segurança como o enorme fortalecimento da vigilância governamental, a criação do Department of Homeland Security, mudanças na inteligência, controles aeroportuários muito mais rigorosos e várias políticas associadas ao combate ao terrorismo provavelmente seriam bem menos abrangentes. A própria política americana poderia ter tomado outro rumo: George W. Bush talvez não tivesse conquistado o mesmo capital político e a eleição de 2004 poderia ter sido diferente. A percepção mundial dos Estados Unidos também poderia ser menos marcada pelas guerras do Oriente Médio e pela imagem de uma potência militar intervencionista.

Mas há um ponto ainda mais interessante: não existiria um único “mundo alternativo”; haveria uma enorme quantidade de caminhos possíveis. A economia mundial poderia ter sido diferente, as prioridades do governo americano poderiam ter se concentrado mais na China, na Rússia ou em questões econômicas, e a ascensão chinesa talvez tivesse recebido atenção estratégica americana mais cedo. O petróleo, os gastos militares e os mercados financeiros também poderiam ter seguido trajetórias diferentes. A Europa provavelmente teria experimentado menos pressão relacionada ao terrorismo jihadista e às guerras do Oriente Médio, embora outros conflitos e crises — como a crise financeira de 2008, a Primavera Árabe, a guerra civil síria e a posterior crise migratória — ainda pudessem acontecer, porque suas causas não dependiam exclusivamente do 11 de Setembro. Até a nossa vida cotidiana seria diferente: a experiência de viajar de avião, a cultura de segurança em aeroportos, a vigilância digital, o debate sobre privacidade e a própria linguagem política contemporânea foram profundamente influenciados pelo pós-11 de Setembro. E existe uma consequência humana impossível de quantificar: quase todas as pessoas que nasceram, morreram, migraram, se casaram, tiveram filhos ou escolheram determinadas profissões por causa dos acontecimentos posteriores a 2001 poderiam ter vivido histórias diferentes. Portanto, eu não diria simplesmente que “o mundo seria melhor”: diria que ele provavelmente seria menos militarizado e menos marcado pelo terrorismo como eixo central da política internacional, com muito menos mortes decorrentes das guerras desencadeadas naquele contexto — mas outros conflitos, ameaças e crises inevitavelmente ocupariam esse espaço. O 11 de Setembro não criou sozinho todos os problemas do século XXI; ele funcionou como um gigantesco ponto de inflexão, alterando a direção de várias linhas históricas que já estavam em movimento.

Claude:

É impossível saber com certeza como o mundo teria evoluído, mas dá para traçar alguns caminhos prováveis com razoável confiança, baseados em como a geopolítica e as sociedades costumam reagir a eventos de menor magnitude. Sem os atentados de 11 de setembro de 2001, é bastante provável que os Estados Unidos não tivessem invadido o Afeganistão em outubro daquele ano, o que significa que o regime Talibã provavelmente teria continuado no poder por mais tempo, sem a guerra de vinte anos que se seguiu e que terminou, ironicamente, com o retorno do próprio Talibã em 2021. A Al-Qaeda teria permanecido uma organização relativamente marginal, sem o efeito multiplicador que a “Guerra ao Terror” acabou dando ao jihadismo global como bandeira de mobilização. Também é razoável supor que a invasão do Iraque em 2003 não teria a mesma justificativa política e emocional, já que o clima de medo pós-11/9 foi decisivo para convencer a opinião pública americana e aliados a apoiar essa guerra; sem ela, Saddam Hussein provavelmente permaneceria no poder por mais tempo, e o vácuo de poder que gerou o Estado Islâmico simplesmente não existiria da forma como conhecemos, porque o EI nasceu diretamente do caos sectário criado pela ocupação americana do Iraque.

Internamente, os Estados Unidos teriam um perfil muito diferente: não haveria o Patriot Act, a criação do Departamento de Segurança Interna (DHS) ou a TSA, e o aparato de vigilância em massa revelado por Edward Snowden anos depois provavelmente seria muito menos desenvolvido, já que boa parte dele foi construída sob a justificativa do combate ao terrorismo. Trilhões de dólares gastos nas guerras do Afeganistão e Iraque teriam sido direcionados a outras prioridades, talvez infraestrutura, saúde ou educação, alterando o rumo da economia e da dívida pública americana. A presidência de George W. Bush, que se redefiniu completamente após os ataques, teria seguido uma trajetória mais discreta e talvez menos popular. No plano global, as relações entre o Ocidente e o mundo muçulmano provavelmente não teriam se deteriorado da mesma forma, sem o crescimento da islamofobia e da polarização que caracterizou as duas décadas seguintes, e a ascensão da China como rival estratégico dos EUA talvez tivesse ocupado o centro da atenção americana bem mais cedo, já que Washington não estaria distraída por duas guerras prolongadas no Oriente Médio. Vale destacar que tudo isso é especulação histórica: pequenas mudanças em cadeias de eventos complexos podem gerar resultados muito diferentes dos imaginados, e outros conflitos ou crises poderiam ter surgido para preencher o vácuo geopolítico que a “Guerra ao Terror” acabou ocupando.

Gemini:

Se os atentados de 11 de setembro não tivessem ocorrido, a arquitetura geopolítica e o equilíbrio de poder global do século XXI teriam seguido um rumo dramaticamente diferente, priorizando a diplomacia multilateral e a integração econômica em detrimento da militarização preventiva. Sem o gatilho das invasões do Afeganistão e do Iraque, os Estados Unidos não teriam drenado trilhões de dólares e imenso capital político em guerras prolongadas no Oriente Médio, o que por sua vez preveniria o vácuo de poder que permitiu o surgimento e a expansão de grupos extremistas como o Estado Islâmico, além de conter as ondas gigantescas de refugiados que redefiniram a política europeia. Sem a doutrina da “Guerra ao Terror”, o foco das superpotências ao longo das últimas duas décadas teria se voltado muito mais cedo e com mais recursos para a competição geoestratégica com a China e a consolidação das metas contra as mudanças climáticas, mantendo o direito internacional e as Nações Unidas como os canais centrais de negociação global.

No âmbito doméstico e sociocultural, a ausência desse evento teria preservado uma relação de maior confiança entre os cidadãos e as instituições democráticas, evitando a normalização da vigilância estatal em massa e a erosão das liberdades civis consolidadas por leis ostensivas como o Patriot Act. Sem a criação de uma estrutura de segurança paranoia corporificada por órgãos como a TSA e a proliferação do controle ostensivo de fronteiras, o trânsito internacional de pessoas e ideias seria substancialmente mais livre e dinâmico. Ademais, ao evitar o fortalecimento da xenofobia, da islamofobia e do medo do “outro” que alimentou o discurso da segurança nacional nas décadas seguintes, o tecido social das democracias ocidentais seria significativamente menos polarizado, inibindo a ascensão precoce e agressiva do populismo reacionário e de movimentos hipernacionalistas que se nutriram desse clima permanente de ameaça e suspeita mútua.

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