Atendimentos são destinados às pessoas assistidas pelas Comissões da Ordem, bem como advogados e advogadas de Alagoas
Por assessoria

Todos os anos, o mês de setembro acende um alerta para a importância da discussão sobre saúde mental no país. O período faz alusão à campanha brasileira de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Nesse contexto, a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) vem trabalhando ao longo de todo o ano para conscientizar a população sobre a importância de buscar ajuda, além de fortalecer uma rede de apoio eficaz para aqueles que enfrentam desafios relacionados à saúde mental.
Levando isso em consideração, a Ordem tem oferecido atendimentos psicológicos gratuitos desde o início do ano na sede histórica do Centro de Maceió. Os atendimentos são destinados às pessoas assistidas pelas Comissões da OAB/AL que estão em situação de vulnerabilidade, bem como a advogados e advogadas do estado.
Arthur Lira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, considera a iniciativa fundamental, especialmente durante o Setembro Amarelo, ao reforçar que a proteção dos direitos humanos também passa pelo cuidado com a saúde mental.
“Temos observado que as pessoas vítimas de violações de direitos humanos frequentemente enfrentam impactos significativos em sua saúde mental, decorrentes das situações de violência e violações vivenciadas. A partir dessa realidade, buscamos estabelecer parcerias com instituições de ensino para possibilitar que esse público também seja acolhido no âmbito das atividades de estágio e atendimento psicológico, ampliando o acesso ao cuidado e oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e atenção. É preciso olhar para a pessoa de forma integral, compreendendo que as violações sofridas podem deixar marcas que vão muito além das consequências jurídicas”, destacou.
Para viabilizar esse atendimento, a OAB Alagoas, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, criou, juntamente com o psicólogo e membro consultivo da Comissão, Emerson Loureiro, o Núcleo de Psicologia. A iniciativa estabeleceu uma parceria com a Faculdade Estácio, que disponibiliza estudantes para a realização dos atendimentos como parte das atividades de estágio. A coordenação e a supervisão dos estagiários são realizadas por Emerson, em conformidade com as normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Psicologia.
Para o psicólogo, o projeto visa ampliar o acesso à saúde mental, propondo atendimentos sem custos financeiros e facilitando que aqueles que não possuem condições de arcar com consultas tenham acompanhamento psicológico regular, promovendo assim, o acesso à saúde e contribuindo para a garantia de direitos.
“O atendimento psicológico tem o objetivo de complementar o trabalho desenvolvido pelas Comissões, oferecendo um espaço de escuta qualificada, acolhimento e acompanhamento. A iniciativa contempla diferentes públicos, incluindo a advocacia e pessoas ligadas ao Direito, mas tem atenção especial às pessoas que chegam à instituição em contextos de vulnerabilidade ou diante de possíveis violações de direitos. Muitas dessas pessoas não teriam condições de buscar ou custear um acompanhamento psicológico. Dessa forma, oferecer o serviço de forma gratuita representa também uma importante ação de promoção da saúde e de garantia de direitos”, afirma Emerson Loureiro.
De acordo com ele, as demandas dos pacientes assistidos são diversas, e cada um possui particularidades relacionadas às suas vivências e aos traumas enfrentados.
“As demandas são bastante diversificadas e refletem a complexidade das situações vivenciadas pelas pessoas que procuram as Comissões. Entre os casos acompanhados, estão pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), síndrome do pânico e pessoas que passaram por experiências traumáticas. Também são identificadas demandas relacionadas a conflitos familiares e a sentimentos de medo, insegurança, impotência, tristeza e ansiedade”, frisou.
De acordo com Emerson, o apoio psicológico não busca modificar ou apagar aquilo que foi vivenciado, mas ajudar as pessoas a compreenderem e elaborarem suas experiências, reconhecendo seus sentimentos e desenvolvendo recursos para lidar com as consequências de situações traumáticas.
“O primeiro passo é oferecer um espaço seguro, ético e livre de julgamentos, no qual a pessoa possa falar sobre suas experiências e emoções, inclusive aquelas que muitas vezes não consegue compartilhar com familiares ou amigos. A partir dessa escuta, é possível trabalhar estratégias de enfrentamento, fortalecer a autonomia e identificar outras necessidades que possam demandar assistência especializada. É importante destacar, ainda, que o atendimento psicológico está inserido em uma perspectiva de cuidado em rede. Quando o caso exige um acompanhamento específico, são realizados os encaminhamentos necessários para os serviços competentes, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”, explicou.












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