O Brasil registra mais de 4.600 tentativas de fraude digital por hora; Pix, WhatsApp, falsos bancos e inteligência artificial estão entre as principais armas dos criminosos
Por Cotidiano Alagoas

O Brasil vive uma epidemia silenciosa de golpes digitais. Os crimes digitais no país cresceram mais de 35% em 2025, segundo dados do Banco Central, e os prejuízos só com golpes envolvendo Pix superaram R$ 4,9 bilhões.
Em 2026, o cenário não melhorou, piorou. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, foram registrados mais de 2,1 milhões de casos de estelionato em 2024, representando um crescimento de 408% em relação a 2018, com cerca de 4 golpes aplicados por minuto no Brasil.
Qualquer pessoa pode ser vítima, independente de idade, escolaridade ou renda. Conhecer os golpes mais comuns é o primeiro passo para não cair neles.
O golpe do Pix: o mais perigoso da atualidade
O Pix se tornou o principal alvo dos criminosos digitais no Brasil. Só em 2025, o sistema movimentou mais de R$ 28 trilhões, segundo o Banco Central, e cada brasileiro realizou em média quase 40 transferências por mês. A adesão massiva trouxe um efeito colateral: o sistema se tornou o principal alvo do crime digital.
Um dos golpes mais recentes e que vem crescendo rapidamente é o chamado Pix errado. Nessa fraude, o golpista realiza uma transferência real para a conta da vítima e em seguida entra em contato, geralmente por mensagem, dizendo que fez o envio por engano e pedindo a devolução do dinheiro. A armadilha está no detalhe: o criminoso pede que a vítima envie o dinheiro para uma conta indicada por ele, enquanto solicita o estorno oficial pelo banco, fazendo a vítima pagar duas vezes.
A regra de ouro nesses casos é simples: nunca devolva dinheiro para uma conta diferente da que enviou. Use apenas a função oficial de estorno dentro do aplicativo do seu banco.
Phishing: o golpe que imita o que você confia
O phishing continua entre os golpes digitais mais comuns em 2026. Ele consiste no envio de mensagens falsas para roubar dados e aparece em diferentes formatos: e-mails que imitam lojas conhecidas, SMS que se passam por bancos, mensagens em redes sociais com promessas de prêmios ou avisos de bloqueio de conta.
O padrão é sempre o mesmo: os criminosos utilizam mensagens alarmistas como avisos de bloqueio de conta ou débitos não reconhecidos, links encurtados que escondem o endereço real da página, e formulários falsos que pedem dados como CPF, senhas, token e número do cartão.
Nunca clique em links recebidos por SMS ou WhatsApp. Se receber uma mensagem suspeita do seu banco, acesse o aplicativo diretamente pelo celular — nunca pelo link recebido.
Falso suporte bancário: quando o “banco” te liga
O golpe do suporte falso consiste em criminosos que se passam por atendentes de bancos ou plataformas de comércio eletrônico e induzem o usuário a instalar aplicativos de controle remoto no celular. Com acesso ao dispositivo, os golpistas conseguem realizar transferências, alterar senhas e esvaziar contas sem que a vítima perceba em tempo.
O ponto crucial: bancos nunca ligam pedindo senha, token ou instalação de aplicativo. Se receber esse tipo de ligação, desligue e entre em contato com o banco pelo número oficial impresso no verso do seu cartão.
Inteligência artificial a serviço do crime
2026 trouxe uma novidade preocupante. Crescem os golpes com uso de voz sintética e vídeos falsos que imitam pessoas conhecidas para aumentar a credibilidade do contato. Com poucos segundos de áudio ou vídeo de alguém, criminosos conseguem criar mensagens falsas convincentes imitando a voz de familiares pedindo dinheiro com urgência.
Se receber uma mensagem de voz ou vídeo de alguém próximo pedindo dinheiro urgente, jamais faça o Pix por urgência sem confirmar a solicitação por outro canal — telefone fixo ou ligação direta para a pessoa.
O que fazer se você cair em um golpe
Ao identificar a fraude, agir rápido pode fazer toda a diferença. Comunique imediatamente o banco e solicite a abertura do procedimento pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED), registre boletim de ocorrência e guarde todas as provas — comprovantes, prints, conversas e protocolos.
O MED funciona assim: sua instituição financeira avisa o banco do golpista em até 30 minutos. O caso é avaliado e, se confirmada a fraude, em até 96 horas você pode receber o dinheiro de volta, integral ou parcialmente, se houver saldo na conta do fraudador.
As novas regras do Pix que protegem você
O Banco Central não ficou parado. A partir de fevereiro de 2026, novas regras entraram em vigor: o sistema passou a bloquear automaticamente contas suspeitas e permite que o usuário faça alertas de golpe direto no aplicativo do banco.
Use esses recursos. Ative as notificações do seu banco, configure limites para transferências noturnas e desconfie de qualquer contato não solicitado pedindo dados pessoais ou financeiros — seja por WhatsApp, telefone ou e-mail.








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