Pesquisa da UFRJ com a proteína polilaminina possibilita que pacientes tetraplégicos e paraplégicos recuperem movimentos e sensibilidade, desafiando dogmas da medicina convencional
Por Cotidiano Alagoas

Uma revolução na medicina regenerativa mundial está sendo escrita nos laboratórios brasileiros. A cientista Tatiana Sampaio, de 59 anos, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera uma pesquisa promissora que utiliza a polilaminina para tratar lesões na medula espinhal.
Carioca com doutorado em biologia celular e passagens por instituições de prestígio nos Estados Unidos e na Alemanha, Sampaio decidiu enfrentar, a partir de 1998, o dogma médico de que o sistema nervoso central humano não consegue se regenerar após lesões graves.
Uma “ponte” para neurônios
A base da descoberta é a laminina, uma proteína encontrada na placenta humana que guia o crescimento de neurônios durante a formação do feto. No entanto, em adultos, essa proteína é instável e se degrada rapidamente. A inovação de Tatiana foi criar em laboratório a polilaminina, uma versão polimerizada que atua como um “andaime” ou trilho físico.
Quando injetada na lesão, a substância neutraliza a cicatriz glia — barreira biológica que impede o crescimento nervoso — e cria um caminho para que os neurônios voltem a se conectar, restabelecendo a comunicação entre o cérebro e os membros.
Resultados e ensaios clínicos
Os testes preliminares apresentaram resultados históricos: de oito pacientes voluntários com lesões crônicas, seis recuperaram movimentos e sensibilidade. Um dos casos mais notáveis é o de um paciente paralisado do ombro para baixo que recuperou força suficiente para voltar a caminhar sozinho.
Após décadas de luta por financiamento, o projeto alcançou um marco decisivo em janeiro de 2026, quando a Anvisa autorizou o início oficial dos ensaios clínicos de fase 1 e 2. Atualmente, cinco voluntários recebem a proteína sob protocolos de segurança.
Desafios econômicos e patentes
Apesar do sucesso científico, que gerou cerca de R$ 3 milhões em royalties para a UFRJ em 2023, o maior valor da história da instituição, o projeto enfrentou o chamado “Vale da Morte” da ciência nacional. Devido a cortes de verbas na década passada, a patente internacional foi perdida, embora a tecnologia continue protegida em território brasileiro.
Atualmente, o desenvolvimento conta com suporte financeiro da FAPERJ e infraestrutura industrial do laboratório farmacêutico Cristalha, visando tornar o medicamento acessível no futuro. Se os testes forem concluídos com sucesso, o Brasil poderá se tornar o primeiro país a oferecer uma cura funcional para a paralisia.












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