Leopoldo saiu do salão do júri diretamente para o sistema prisional em Maceió
Por assessoria/MPAL

Uma década, o sofrimento do filho refletido no choro durante depoimento, um Ministério Público forte e convincente desbancando uma defesa que tentou até o fim inocentar o cliente argumentando falta de provas. Mas, ao final, o promotor de Justiça Adriano Jorge conseguiu sensibilizar os jurados que votaram para a condenação do ex-prefeito de Maribondo, Leopoldo César Amorim Pedrosa, que teve como sentença 13 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, pela morte do corretor de imóveis Gerson Gomes. O crime ocorreu em 2015.
De um lado, lutando pela inocência do réu, um grupo de advogados, do outro, solitariamente, um promotor de Justiça que, corajosamente, e com muita técnica, foi ao debate e à réplica. Adriano Jorge reconhece que o resultado, além de amenizar a dor da família, deu uma resposta à sociedade.
“Foi um júri cansativo, com uma defesa formada por advogados renomados e que estavam, obviamente, tentando a todo custo convencer o conselho de sentença. No entanto, o Ministério Público estava preparado para debater, sustentar a acusação com a qualificadora de motivo fútil, e provar que ele era o culpado e, após 10 anos, a família da vítima e a sociedade precisavam de resposta. A Justiça foi feita”, destaca o promotor.
Quem acompanhou o julgamento presenciou o sofrimento da família de Gerson Gomes, irmãos, tio e, principalmente, os filhos. Eles foram ao júri com camisas estampadas com a foto da vítima e pedindo justiça. Murilo Sour, que é policial penal, e um dos órfãos, chorou enquanto era ouvido emocionando a todos .
“Meu pai não merecia isso, o que fizeram com ele foi uma covardia, não bastasse matarem ainda jogaram num canavial para os bichos comerem. Meu pai estava podre, nem reconhecer foi possível, somente o IML conseguiu fazer isso. Não tive o direito de olhar para meu pai de novo e me despedir, o caixão teve de ficar fechado. Covarde”, disse Murilo aos prantos.
De acordo com Murilo Souto, o seu pai teria sumido após ter ido se encontrar com Leopoldo em Maceió.
“Eu estava com meu pai no dia, o convidei para almoçar, mas disse que Leopoldo tinha marcado um encontro para resolver a situação do débito. Ainda consegui ligar duas vezes pra ele, mas depois o celular já deu desligado e ele não voltou. Então, fizemos uma mobilização, colocamos na imprensa e começamos as buscas, até o corpo dele ser encontrado, quinze dias depois, por um trabalhador, em estado de decomposição”, disse com a voz embargada.
O réu, por sua vez, procurou, do começo ao fim do depoimento, mostrar-se muito amigo da vítima, afirmando que “por sinal o Gerson era um homem maravilhoso, um grande profissional, era meu amigo e eu o admirava”, mas não logrou êxito . O Conselho de Sentença reconheceu sua condenação por tráfico de entorpecentes, o que se tornou uma agravante, e acatou a qualificadora de motivo fútil.
Leopoldo saiu do salão do júri diretamente para o sistema prisional em Maceió.












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