Celebração da Páscoa hoje é o resultado de 100 gerações de rituais
Por Cotidiano Alagoas

A Páscoa representa o ápice do calendário cristão, celebrando a vitória de Jesus Cristo sobre a morte. Contudo, a construção dessa festividade como a conhecemos hoje é o resultado de 100 gerações de rituais, onde milagres religiosos se fundiram a costumes pagãos e ritos de fertilidade.
O contexto histórico e a herança judaica
A origem da Páscoa está intrinsecamente ligada ao Passover (Páscoa Judaica). Segundo os Evangelhos do Novo Testamento, Jesus e seus apóstolos viajaram a Jerusalém para observar o Pesach, a temporada sagrada que celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Foi após a ceia do Passover que Jesus foi preso e, no que hoje é a Sexta-Feira Santa, crucificado. Sua ressurreição ocorreu dois dias depois, sendo inicialmente celebrada por cristãos de origem judaica como uma nova faceta do festival original.
A padronização do calendário e o Círio Pascal
Durante os primeiros séculos, a data da celebração era variável, podendo ocorrer em qualquer dia da semana, dependendo do calendário judaico. No entanto, em 325 d.C., o imperador romano Constantino e o Conselho de Niceia decretaram que a Páscoa deveria cair obrigatoriamente em um domingo, o dia da ressurreição. Ficou estabelecido que o feriado seria o primeiro domingo após a lua cheia que segue o equinócio de primavera, flutuando entre março e abril. Foi nessa época que surgiu o ritual do Círio Pascal: uma chama acesa para simbolizar a luz de Cristo vencendo as trevas.
A influência pagã e o surgimento do nome
A expansão do cristianismo pela Europa permitiu a absorção de ritos locais. A própria palavra inglesa para Páscoa, Easter, deriva de Eostre, a deusa germânica da primavera e da fertilidade. Dessa conexão com a natureza e a renovação da vida surgiram os dois maiores símbolos da data: o ovo e o coelho.
- O simbolismo do ovo: Utilizado como ícone mitológico de nascimento por milênios, o ovo foi adotado pelos cristãos por volta do século XIII. A casca representava o túmulo de onde Cristo emergiu. Inicialmente, eram pintados de vermelho para simbolizar o sangue derramado na cruz. A tradição evoluiu para jogos populares, como a “rolagem de ovos”, que se tornou um evento oficial nos gramados da Casa Branca em 1876, após o presidente Rutherford B. Hayes abrir o local para crianças.
- A chegada do coelho: O coelho, símbolo de fertilidade nas celebrações pagãs, entrou no cenário cristão no século XVI na Alemanha. Os pais contavam aos filhos que, se eles se comportassem, o Oschter Haws (o coelho da Páscoa) viria colocar ovos coloridos em ninhos preparados pelas crianças, dando origem à caça aos ovos.
A revolução do chocolate e a celebração atual
A transição para o consumo moderno começou no século XIX, quando chocolateiros europeus começaram a moldar doces em formato de ovo. O que começou como uma tendência doce espalhou-se rapidamente, resultando hoje em gastos anuais de bilhões de dólares em guloseimas. Atualmente, a Páscoa permanece como um dia de júbilo espiritual para cristãos, mas também como um momento universal para as famílias se reunirem e darem as boas-vindas à nova vida que surge após o inverno.











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