Estudo da UniCesumar aponta estratégias que reduzem estresse

Por assessoria

Reprodução

Os custos social e econômico do cuidado a pessoas com demência no Brasil é crescente. Estima-se que a doença de Alzheimer e outras formas de demência gerem impactos diretos e indiretos significativos para famílias e para o sistema de saúde, incluindo gastos com internações, medicamentos, cuidados domiciliares e perda de produtividade de cuidadores. Segundo o Relatório Nacional sobre Demência 2024, cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com alguma forma de demência, e a responsabilidade pelo cuidado recai majoritariamente sobre familiares, muitas vezes mulheres, que precisam conciliar trabalho e cuidados intensivos.

Dessa forma, a forma como esses cuidadores lidam com o estresse diário se mostra decisiva. Um estudo conduzido por pesquisadores da UniCesumar, em parceria com o Instituto Nacional de Cardiologia, a Universidade da Força Aérea e a Universidade Estadual de Maringá, analisou 126 cuidadores, majoritariamente mulheres (93,6%), para compreender quais estratégias de enfrentamento são mais eficazes na redução da sobrecarga emocional. A pesquisa foi publicada na revista científica Dementia & Neuropsychologia.

Os resultados indicam que cuidadores que adotam estratégias ativas de resolução de problemas, como planejamento de tarefas e organização da rotina, apresentam níveis significativamente menores de estresse e sobrecarga. Por outro lado, estratégias emocionais como evitar a situação, negar dificuldades ou se culpar estão associadas a um aumento do esgotamento. “Embora emoções e religiosidade sejam dimensões importantes da vida do cuidador, quando utilizadas como única estratégia, elas elevam a vulnerabilidade emocional”, aponta Daniel Vicentini de Oliveira, professor orientador da UniCesumar.

Outro achado relevante é que a simples busca por suporte social, tradicionalmente considerada protetiva, também apresentou correlação com maior sobrecarga. “No Brasil, o suporte social disponível ainda é insuficiente ou pouco resolutivo. Muitas vezes, não reduz de forma efetiva o peso emocional e prático do cuidado”, explica Vicentini.

Saúde Pública

O estudo evidencia que a sobrecarga do cuidador não é apenas um problema individual, mas um desafio de saúde pública. O aumento do número de pessoas com demência implica crescimento do gasto domiciliar, internações hospitalares e necessidade de políticas públicas que apoiem familiares. Izabela Marques, coautora do estudo e acadêmica da UniCesumar, afirma que “não se trata apenas de oferecer apoio, mas de preparar essas pessoas para lidar de forma estruturada com os desafios cotidianos”.

Ensinar estratégias ativas, como planejamento prático, organização da rotina e busca qualificada por informações, reduz a sensação de impotência e aumenta a percepção de controle do cuidador. “Essas ações impactam diretamente na saúde mental e na qualidade do cuidado prestado ao paciente, ajudando a reduzir complicações clínicas, internações e a necessidade de institucionalização precoce”, complementa Marques.

O impacto econômico e social é relevante. Cuidadores sobrecarregados frequentemente interrompem a vida profissional, o que reduz renda familiar e aumenta a pressão sobre sistemas públicos e privados de saúde. Além disso, falhas no cuidado podem levar a internações mais frequentes e maiores custos hospitalares, criando um ciclo que afeta diretamente a sustentabilidade do cuidado a longo prazo.

Perfil do cuidador 

No Brasil, o perfil do cuidador é majoritariamente feminino, e muitos deles acumulam tarefas domésticas e profissionais, intensificando o desgaste físico e emocional. A pesquisa da UniCesumar reforça que investir em treinamento e estratégias ativas de enfrentamento não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas também de eficiência social e econômica: cuidadores mais preparados geram cuidado de melhor qualidade e reduzem custos indiretos para famílias e para o sistema de saúde.

“Cuidar de alguém com Alzheimer não é apenas uma tarefa prática, é um processo emocional profundo, que exige preparo, informação e suporte contínuo. Se queremos cuidar melhor de quem vive com Alzheimer, precisamos, antes de tudo, cuidar de quem está ao lado todos os dias”, conclui Izabela Marques.

Sobre a UniCesumar

Com 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de mais de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com mais de 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.

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