Usado há milênios na medicina tradicional asiática, o gengibre acumula hoje evidências científicas sólidas sobre seus benefícios para a digestão, imunidade, inflamação e saúde cardiovascular, mas especialistas alertam para quem deve evitá-lo

Por Cotidiano Alagoas

Imagem: Cotidiano Alagoas

Pequeno, de aparência simples e sabor intenso, o gengibre é uma das plantas medicinais mais estudadas pela ciência moderna. Conhecido cientificamente como Zingiber officinale, o rizoma (que é um caule subterrâneo, não uma raiz propriamente dita) tem sido usado há milênios na medicina tradicional asiática e hoje ocupa espaço crescente em consultórios de nutrição e medicina integrativa no Brasil e no mundo.

O interesse científico pelo gengibre não é modismo. É resultado de décadas de pesquisa sobre seus compostos bioativos, especialmente o gingerol, o shogaol e o paradol, substâncias com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias comprovadas em laboratório e em estudos clínicos, conforme reconhecem instituições como o NHS do Reino Unido, a Harvard Health e o Manual MSD, uma das publicações médicas de referência mundial.

Anti-inflamatório natural: o benefício mais estudado

A propriedade anti-inflamatória do gengibre é a mais documentada pela ciência. Os compostos bioativos da raiz atuam inibindo as vias inflamatórias do organismo de forma semelhante a alguns medicamentos, mas sem os efeitos colaterais associados ao uso prolongado de anti-inflamatórios farmacológicos.

Segundo nutrólogos, o gingerol é o composto mais importante do gengibre e suas propriedades medicinais já foram comprovadas em pesquisas científicas. Os estudos mostram benefícios no controle de condições inflamatórias como artrite, dores musculares pós-exercício, enxaquecas e cólicas menstruais, neste último caso, com eficácia comparável a medicamentos como o ibuprofeno em alguns estudos clínicos.

Digestão e náuseas: ação reconhecida até pela ANVISA

Na área digestiva, o gengibre tem um dos históricos mais sólidos da medicina natural. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária reconhece oficialmente, pela Resolução RDC nº 10 de 2010, que a decocção do gengibre pode ser utilizada em casos de enjoo, náusea e vômito da gravidez, de movimento e pós-operatório, além de situações de má digestão em geral.

O Manual MSD confirma que estudos científicos demonstram eficácia do gengibre para náuseas gestacionais e vômitos pós-operatórios. O mecanismo é bem compreendido: os compostos da raiz auxiliam no esvaziamento gástrico e reduzem o desconforto estomacal e a sensação de estufamento.

Imunidade e ação antimicrobiana

O gengibre também é reconhecido pela capacidade de fortalecer o sistema imunológico. Seus compostos antioxidantes protegem as células contra danos causados pelos radicais livres — moléculas instáveis que contribuem para o envelhecimento celular e o desenvolvimento de doenças crônicas.

Pesquisas indicam ainda que o gengibre possui propriedades antimicrobianas, ajudando o organismo a combater bactérias e vírus. Esse mecanismo explica seu uso tradicional contra gripes, resfriados e dores de garganta — práticas que hoje contam com respaldo de evidências laboratoriais, embora os especialistas ressaltem que mais estudos em humanos sejam necessários para conclusões definitivas.

Saúde cardiovascular e controle do açúcar no sangue

Na área cardiovascular, estudos associam o consumo regular de gengibre à melhora da circulação sanguínea e à manutenção da saúde vascular. Os compostos antioxidantes da raiz contribuem para a integridade dos vasos sanguíneos e para uma circulação mais saudável como parte de um estilo de vida equilibrado.

O gengibre também vem sendo estudado no contexto do diabetes tipo 2. Evidências científicas apontam para uma leve redução nos níveis de hemoglobina glicada — marcador que indica os níveis médios de glicose no sangue ao longo do tempo — em pessoas que consomem a raiz regularmente.

Os compostos bioativos do gengibre parecem contribuir para a melhora da sensibilidade à insulina, hormônio responsável por regular a glicose no organismo.

Quanto consumir por dia

Para adultos saudáveis, o consumo de até quatro gramas diários de gengibre é considerado seguro pela maioria das diretrizes especializadas. Em termos práticos, isso equivale a cerca de dois a três centímetros de raiz fresca por dia, podendo ser consumido em chás, sucos, temperos ou pratos variados. Em pó, uma colher de chá diária é suficiente para aproveitar os benefícios.

Doses acima desse limite aumentam o risco de irritação gástrica, azia e diarreia, especialmente quando consumidas em jejum.

Quem deve evitar o gengibre

Apesar dos benefícios amplamente documentados, o gengibre não é indicado para todos. Especialistas em fitoterapia alertam que as seguintes pessoas devem ter cautela ou evitar o consumo sem orientação médica:

Pessoas em uso de medicamentos anticoagulantes, pois o gengibre pode aumentar o risco de hemorragias.

Pessoas com gastrite severa ou refluxo intenso, já que a raiz pode agravar esses sintomas.

Pessoas com cálculos biliares, pressão arterial instável ou distúrbios de coagulação.

Gestantes, especialmente no último trimestre da gravidez, embora pequenas quantidades para aliviar enjoos matinais sejam consideradas seguras, doses elevadas devem ser evitadas pelo risco de sangramento.

Pessoas com hipersensibilidade ou alergia ao gengibre.

O ideal, segundo os especialistas, é sempre consultar um médico, nutricionista ou fitoterapeuta para definir a quantidade adequada conforme o estado de saúde individual e o uso de medicamentos.

Esta matéria tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde qualificado.

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